O presidente do BPI quer conhecer a execução do Orçamento do Estado deste ano antes de discutir o documento para 2011.
O presidente do BPI não entende o que terá levado o PSD - partido em que, recordou, vota quase sempre - a gerir a questão do Orçamento de Estado (OE) para 2011 da forma como o fez. O responsável do banco diz não compreender "a discussão em torno do OE 2011 numa altura em que ninguém sabe qual é a execução do de 2010". Alertando para que as informações que circulam apontam para que a execução do OE deste ano não é boa, Ulrich afirmou ao Diário Económico que "o melhor era [o PSD] estar calado [em relação ao OE para 2011] e esperar que o governo mostrasse o jogo".
Neste quadro, afirmou, a prioridade política é outra: saber se o OE de 2010 vai, ou não, ser cumprido. Por uma razão simples: é o primeiro indicador para os mercados financeiros internacionais sobre se os decisores nacionais têm ou não capacidade para executar aquilo que se propuseram.
E só em segundo lugar devem surgir as preocupações face ao OE para o próximo ano. Mas Ulrich - tal como vários economistas e analistas políticos antes dele - é de opinião que mais vale um chumbo ao Orçamento para 2011, que deixar passar um mau documento: "Prefiro que o Orçamento não seja aprovado que ter um mau orçamento. Com um chumbo [na Assembleia da República], as coisas complicam-se no curto prazo mas acabam por se compor no médio prazo".
As perrices públicas entre Passos Coelho, líder do PSD, e o primeiro-ministro José Sócrates em torno do OE para 2011 parecem ao presidente do BPI de uma grande esterilidade e de uma absoluta falta de oportunidade.
Grandes projectos de investimento em ‘stand by'
De qualquer modo, e discussões políticas à parte, para o presidente do BPI é mais que certo que alguns projectos de investimento vão ter que ficar pelo caminho. Sem especificar quais, Ulrich afirmou mesmo que é possível que alguns projectos já em fase de execução tenham que parar, até que se verifiquem melhorias sustentáveis das condições de acesso ao crédito internacional.
As diferenças entre Portugal e Espanha
Para acrescer às dificuldades nacionais, segundo Fernando Ulrich, a economia espanhola tem dado mostras de estar a fazer devidamente o trabalho de casa ao nível da ‘limpeza' das contas internas. Resultado: Espanha está a pagar o crédito internacional à taxa Euribor acrescida de 1,49% enquanto que Portugal paga a Euribor acrescida de 3,29%. E nada faz prever que, a curto prazo, haja qualquer alteração significativa deste estado de coisas.
António Freitas de Sousa
15/09/10 15:10
Retirado do Jornal online Económico Sapo
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